Pentecostes: a vinda do Espírito Santo hoje, no presente


Celebramos hoje o Domingo de Pentecostes. De facto, a Festa do Pentecostes não se começou a celebrar nem teve o seu início apenas no dia em que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos, tal como havia sido prometido por Jesus.
A Festa do Pentecostes, embora com outro significado, era uma festa muito antiga, que já existia muito antes do nascimento de Jesus, e na qual os judeus celebravam não a vinda do Espírito Santo, que ainda não tinha acontecido, mas a Aliança que Deus fizera com os seus antepassados no deserto, junto do monte Sinai.

A vinda do Espírito Santo, vem no entanto dar um novo significado a esta Festa. Na verdade, enquanto os judeus celebravam apenas um facto passado, nós celebramos não apenas o que se passou com os apóstolos, mas a vinda do Espírito Santo hoje, no presente.

O Espírito Santo não veio apenas naquele dia sobre um reduzido número de discípulos; o Espírito Santo continua a vir e a exercer a sua acção no presente, sobre cada um de nós. Talvez não de forma tão espetacular, mas certamente com a mesma eficácia se com humildade e docilidade soubermos aceitar os seus dons.

Naquele primeiro dia, a vinda do Espírito Santo transformou radicalmente aqueles discípulos que ainda se encontravam fechados em casa com os seus medos e as suas dúvidas. É a vinda do Espírito Santo que leva os discípulos a superar definitivamente esta atitude de medo e de desconfiança. Sob a acção do Espírito, a realidade da Ressurreição de Cristo invade plenamente as suas mentes e conquista a sua vontade.

É por acção do Espírito Santo que aqueles homens se transformam em verdadeiros crentes, em autênticos apóstolos, e assim, abandonando o seu refúgio vêm destemidamente, à luz do dia, anunciar a todos a realidade da Ressurreição de Jesus. E não apenas a Ressurreição, mas a Boa Nova da Salvação que de hora avante não se destina a um único povo, como pensavam os judeus, mas a todos os povos e a todas as nações.


Também sobre nós o Espírito Santo foi derramado, no dia do nosso baptismo. Diz S. Paulo na sua 1ª Carta aos Coríntios, que “ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, a não ser por acção do Espírito Santo”.

É o Espírito Santo que suscita em nós o arrependimento dos pecados, fazendo-nos compreender que o perdão Divino é posto à disposição dos pecadores arrependidos por maiores que sejam os seus pecados.

É o Espírito Santo que desperta em nós sentimentos de perdão em relação àqueles que nos ofendem ou prejudicam. É o Espírito Santo, que derramado no coração de cada um de nós, nos pode levar a falar a única linguagem que não conhece fronteiras: a linguagem do amor fraterno que nos leva a ver, mesmo nos homens mais distantes, mas que são nossos irmãos, porque filhos do mesmo Deus.

O homem, usando a liberdade que Deus lhe concedeu e respeita, pode aceitar, ou recusar, os Dons que Deus lhe ofereceu, e por isso, tantos há que tendo embora sido batizados, vivem e agem como se o Dom do Espírito Santo não lhes tivesse sido concedido.

Falando do Espírito Santo, dizia Santo Agostinho: “Se quereis viver do Espírito Santo, praticai a caridade, amai a verdade, e desejai a unidade».

Pedimos ao Senhor que, não obstante a nossa fragilidade humana, nos envie o seu Espírito Santo, nos faça dóceis aos seus ensinamentos e nos transforme em apóstolos do seu amor.

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